2019, o ano do feminismo no MASP

Você sabia que o MASP, considerado o museu mais importante do hemisfério sul, realizará em 2019 uma programação sobre história e feminismo? Djanira da Motta e Silva, Tarsila do Amaral, Lina Bo Bardi, Anna Bella Geiger, Leonor Antunes, Gego e uma mostra coletiva internacional integram as exposições que rolam no espaço durante todo o ano.

Desde 2017, mulheres ganham cada vez mais espaço dentro dos grandes museus da cidade de São Paulo – dessa vez como grandes artistas, não só como musas nuas e inspiradoras.

Guerrilla Girls tiveram sua primeira individual em setembro de 2017, Amélia Toledo ocupou o CCBB em outubro do mesmo ano com a mostra Lembrei que esqueci, que até ganhou o prêmio de melhor exposição na Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA). Além dessas, em 2018 a Pinacoteca de São Paulo, outro importante museu paulistano, dedicou sua programação inteiramente às mulheres com as exposições de Hilma af Klint: Mundos possíveis, Mulheres radicais: arte latinoamericana, 1960-1985 e Rosana Paulino: a costura da memória.

Seja pelo demanda do público por mais mulheres artistas, seja pelo reconhecimento de que estão perdendo por não expor tantos talentos femininos, o movimento tende a crescer (ainda bem!) e agora teremos um ano todinho cheio de exposições incríveis para ver no MASP.

“Acreditamos que expor artistas mulheres e publicar catálogos sobre suas obras, gerando pesquisa e visibilidade, é uma atitude feminista em si. Essa atitude deve se refletir em toda a programação anual, que inclui seminários, palestras, cursos, oficinas e exposições”, explica Isabella Rjeille, curadora-assistente do MASP.

Já estão confirmadas seis individuais, além de uma grande mostra coletiva que levará o título do eixo temático: Djanira da Motta e Silva, Tarsila do Amaral e Lina Bo Bardi estão previstas para o primeiro semestre, já a coletiva Histórias das mulheres, histórias feministas, e as mostras de Gego, Leonor Antunes e Anna Bella Geiger, para o segundo.

Mudanças

A convite do Museu, o coletivo Guerilla Girls fez uma versão de um dos seus cartazes mais famosos adaptada ao MASP, com a pergunta “As mulheres precisam estar nuas para entrar no Museu de Arte de São Paulo?”. O resultado? Apenas 6% dos artistas do acervo em exposição são mulheres, mas 60% dos nus são femininos. Será que nesse um ano e cinco meses a política de exposição mudou?

Exposição das Guerrilla Girls no MASP, realizada em 2017

“O cartaz mostra a extrema falta de representatividade de artistas mulheres não só nas coleções de uma forma geral, como também na escolha das obras expostas nas mostras de coleções permanentes. Diante disso, o MASP passou a fazer uma contagem da porcentagem de artistas mulheres que estão expostas nos cavaletes de vidro. A porcentagem atual de artistas mulheres nos cavaletes é de 12%. São 14 mulheres em um total de 116 artistas em exposição”, conta Olivia Ardui, assistente curatorial do MASP.

Já é um avanço, né? Vamos acompanhar anualmente para saber se essa diferença diminui ao longo do tempo! Veja abaixo o cronograma com datas das próximas mostrar do museu:

Vendedora de flores (1947), Djanira da Motta e Silva
Djanira: a memória de seu povo

Artista identificada com a segunda etapa do modernismo brasileiro, Djanira da Motta e Silva dedicou seus 40 anos de carreira à pintura a óleo e à têmpera, ao desenho, à azulejaria e à gravura. Com obras produzidas entre os anos 1940 e 1970, a mostra vai revisitar sua produção diversa – retratos e autorretratos, que marcam o início de sua produção; diversões e festejos populares; representações do trabalho e do trabalhador; religiosidade afro-brasileira; e as diversas paisagens do Brasil e os índios canela do Maranhão.
Quando? Março a maio

Operários (1933), Tarsila do Amaral
Tarsila Popular

Centrada na obra de Tarsila do Amaral, a exposição, de cerca de 120 trabalhos, propõe uma nova abordagem da produção da artista, em geral apresentada como parte da tradição modernista europeia. Sem ignorar os aspectos modernistas canônicos e formais de sua obra, o projeto busca enfatizar seus personagens, temas e narrativas, especialmente em relação a questões sociais, políticas, raciais e de classe, bem como chamar atenção para as aproximações com a arte popular e vernacular.
Quando? Abril a julho

Estudo preliminar (1968), Lina Bo Bardi
Lina Bo Bardi: Habitat

Uma exposição panorâmica que olha para vida, obra e legado cultural da arquiteta Lina Bo Bardi. Organizada em três eixos – O habitat de Lina, Repensando o museu e Da Casa de Vidro à cabana –, a exposição irá se debruçar sobre a ampla atuação da arquiteta, com seus projetos de arquitetura, mobiliário e empreitadas editoriais, além de propostas pedagógicos, expográficas e curatoriais para museus e centros culturais.
Quando? Abril a julho

Histórias das mulheres, histórias feministas

A exposição será dividida em duas grandes seções. A primeira, Histórias das mulheres, incluirá obras de diversos territórios, estilos e gêneros pictóricos, do século 16 ao final do século 19, incluindo retratos, naturezas-mortas e paisagens, além de cenas históricas e religiosas. Como diálogo e contraponto, Histórias feministas reunirá artistas de diferentes nacionalidades que trabalham no século 21 em torno das ideias de feminismo ou em resposta a elas.
Quando? Agosto a novembro

Com Hiroshige para os meres e as águas (1997), Anna Bella Geiger
Anna Bella Geiger

A mostra fará uma retrospectiva da produção de Anna Bella Geiger, artista plástica, escultora, pintora, gravadora, desenhista, artista intermídia e professora carioca.
Quando? Novembro a março de 2020

Leonor Antunes

A monográfica de Leonor Antunes será realizada em parceria com o Instituto Bardi e ocupará dois locais de exibição, o MASP e a Casa de Vidro, ambos projetos de Lina Bo Bardi. As esculturas de Antunes dialogam com a arquitetura, o artesanato e o design locais e tomam nomes de artistas e arquitetas importantes para a história do modernismo, como é o caso de Bo Bardi. Por essa razão, os trabalhos de Antunes serão realizados especialmente para a exposição que contará também com a publicação de um catálogo.
Quando? Dezembro a março de 2020

Gego

O MASP, junto a Fundación Jumex (México), o Museu d’Art Contemporani de Barcelona e a Tate (Londres), que também receberão a mostra, organiza uma grande retrospectiva dos trabalhos de Gego (Gertrude Goldschmidt), uma das artistas mais significativas do pós-guerra a emergir na segunda metade do século 20 na América Latina. Sua produção artística interdisciplinar variou entre a arquitetura, o design, a escultura, o desenho, a impressão, o tecido, as instalações site-specific, as intervenções nos espaços, a arte pública e a pedagogia.
Quando? Dezembro a março de 2020