9 eventos que tornaram 2017 o ano das mulheres na arte

2017 foi um ano e tanto para as mulheres na arte, apesar dos retrocessos e ameaças à liberdade no campo político, também tivemos shows, peças teatrais, filmes e exposições com muito protagonismo feminino.

Foi o ano em que iniciativas como o Women’s Music Event foram criadas para premiar o trabalho de artistas mulheres. Foi o ano também em que elas roubaram a cena total na música.

Sabemos que tem muito trabalho legal sendo feito por ai, e a nossa intenção é um dia conseguir fazer uma retrospectiva com todos eles aqui. Como ainda não conseguimos, destacamos nove acontecimentos que marcaram esse ano:

Guerrilla Girls
Foto: Andrew Hinderaker

O coletivo de artistas feministas que questionam a presença feminina no acervo de grandes museus e renomadas galerias ganhou em setembro a primeira exposição-retrospectiva individual no Brasil.

Por meio de performances e cartazes recheados de humor, ironia e estatísticas preocupantes, as Guerrilla Girls fazem críticas severas ao machismo, racismo, LGBTfobia e outras discriminações que historicamente permeiam o universo da arte.

Ocupações no  Itaú Cultural
A escritora Conceição Evaristo foi uma das homenageadas

Durante todo o ano de 2017 o Itaú Cultural realizou ocupações sobre importantes mulheres brasileiras. De janeiro a dezembro o público pôde conhecer melhor a trajetória da atriz Laura Cardoso; a escritora Conceição Evaristo; a gestora e jornalista Aracy Amaral; a cantora e compositora Inezita Barroso; e psiquiatra Nise da Silveira. A exposição sobre a vida e obra da psiquiatra Nise da Silveira, que revolucionou a psiquiatria no mundo, pode ser visitada até 28 de janeiro.

Mulherio das Letras
Cartaz: Silvana Menezes

Iniciativa da escritora Maria Valéria Rezende, o encontro Mulherio das Letras surgiu da indignação da escritora com a falta de mulheres entre os ganhadores do Prêmio Jabuti 2016. A partir daí, Rezende resolveu criar um grupo no facebook que em outubro promoveu seu primeiro encontro presencial, reunindo mais de 500 mulheres de todas as idades e lugares do país em João Pessoa, capital da Paraíba.

Globeleza
Foto: reprodução

Pela primeira vez em 26 anos a Tv Globo modificou sua vinheta, que tradicionalmente exibia no período pré-carnaval mulheres negras padrão Globeleza: “mulata” (negras de pele clara), magras, com curvas acentuadas, cabelos encaracolados (mas não crespos), com o corpo praticamente nu, coberta de pinturas coloridas. Neste ano, a emissora inseriu, depois de muitas críticas do ativismo de feministas negras, uma Globeleza que ilustra as diversas manifestações carnavalescas do Brasil, com outros personagens além da passista, como mulheres de diferentes etnias e bailarinos homens, além da personagem principal aparecer vestida.

Feminejo
Foto: reprodução

Chora não coleguinha! Quem não ouviu essa frase pelo menos uma vez este ano? 2017 foi marcado pela sofrência das mulheres no sertanejo. Muitas músicas conquistaram até mesmo aqueles que não curtem o estilo músical. Diversos nomes se destacaram, como Maiara e Maraisa, Simone e Simaria, Naiara Azevedo e a rainha da sofrência, Marília Mendonça – compositora de várias músicas que fizeram sucesso nas vozes de duplas masculinas.

Anitta
Foto: reprodução

Uma mulher dominou 2017: Anitta. Primeira cantora brasileira a chegar ao Top 50 de músicas mais ouvidas no mundo do Spotify, lançou um sucesso por mês desde setembro, iniciou sua carreira internacional e, no finalzinho do ano, deu o cheque-mate com Vai Malandra . O hit já é a música em português mais ouvida no mundo, segundo a mesma rede de streaming. O clipe atingiu oito milhões de cliques e visualizações nas primeiras dez horas após ser publicado no YouTube, um recorde nacional na plataforma.

Women’s music event
Foto: reprodução

O primeiro prêmio dedicado às mulheres da música brasileira aconteceu em 2017. O Women’s Music Event Awards by VEVO foi criado pela Women’s Music Event, plataforma digital criada para aumentar o protagonismo da mulher na música, e a Vevo Brasil!

A premiação teve como objetivo reconhecer o papel das mulheres na música, em três categorias: voto popular, voto técnico e homenageadas pelo conjunto de sua obra – nessa edição serão celebradas a cantora Rita Lee e a violeira Helena Meireles, que faleceu em 2005 sem o devido reconhecimento de sua viola caipira. Entre as indicadas estiveram Anitta, Karol Conká, Tiê, Anna Tréa e Elza Soares.

Linn da Quebrada
Foto: Pablo Saborido

Pajubá é celebração e (re)existência. É sobre nossas vidas”, escreve Linn da Quebrada. O trabalho, que conta com um álbum visual com 14 clipes, foi indicado como um dos 25 melhores discos do segundo semestre de 2017 pela Associação Paulistana de Críticos de Arte (APCA).

A funkeira, que vem da zona leste de São Paulo, fala no seu álbum sobre diversos temas: violência policial, racismo, a resistência do movimento e música negra e transexual, além de outros que chocam por ainda serem considerados tabus, como masturbação e sexo anal. O disco é um oficial tapa na cara da sociedade e faz valer a pena pela força e orgulho com que fala de sua realidade.

Mexeu com uma, mexeu com todas
Foto: reprodução

Depois de Susllem Tonani, integrante da equipe de figurinistas da novela A lei do amor (Globo), denunciar o assédio sofrido durante oito meses pelo ator José Mayer, que interpretava o protagonista, várias atrizes vestiram a camisa da campanha Mexeu com uma, mexeu com todas. Como protesto, as artistas circularam pelos corredores da emissora e postaram em suas redes sociais repudiando todo e qualquer tipo de assédio. Foi a primeira vez que uma denúncia de abuso cometido por um ator global teve tanta repercussão e foi abraçada por centenas de mulheres.