Blocos para curtir o carnaval 2019

Glitter, confetes, cores, serpentinas, metrôs lotados de pessoas fantasiadas e eufóricas para ocupar as ruas: o carnaval paulistano vem crescendo ano após ano e já conquistou seu espaço entre as cidades carnavalescas do Brasil. Em 2018, a Prefeitura registrou um público de 9 milhões de pessoas na capital, e a expectativa desse ano é ainda maior! Entre 22 de fevereiro e 10 de março, 570 blocos ocuparão as ruas da cidade. 

Nem precisamos falar que não faltam blocos liderados por mulheres para comandar a folia, né? Desculpa qualquer coisa, Siriricando e Siga bem caminhoneira, colocam na pauta (e na rua!) a visibilidade lésbica. Ritaleena e Pagu homenageiam importantes mulheres da história do Brasil. Ilú Obá de Min resgata a ancestralidade africana com o primeiro bloco afro paulistano. Dona Yayá sai às ruas para falar sobre pautas de igualdade de gênero, mas sem esquecer a festa, afinal, fervo também é luta. Tem folia para todos os gostos, então pega a agenda e anota os bloquinhos que você não pode perder!

Carnaval sem assédio

Este é o primeiro carnaval no qual o assédio sexual é considerado crime pela Constituição. A lei define como crime de importunação sexual “praticar ato libidinoso contra alguém sem consentimento para satisfazer a própria lascívia ou a de terceiros”. A punição prevista para quem não obedecer a legislação e ultrapassar a barreira do não é de 1 a 5 anos de prisão.

Durante a folia, a Prefeitura de São Paulo colocará os ônibus lilás, criados para falar sobre sexualidade feminina e violência contra a mulher, à serviço das foliãs. Os veículos ficarão na Avenida Tiradentes e Praça da República, e qualquer mulher que sofrer abuso e/ou assédio sexual poderá buscar refúgio no espaço, que contará com assistente social, psicólogas e advogados. Aquelas que desejarem prosseguir com a denúncia, contarão com a Guarda Civil, que também estará no espaço, para ir atrás do assediador e levá-lo a delegacia. É a primeira vez que a Prefeitura oferece esse tipo de serviço, bem como o registro das denúncias nesse espaço para futuras iniciativas de combate ao assédio contra a mulher.

No carnaval (e em todos os outros espaços) o assédio precisa ser denunciado! Caso se sinta violada ou desrespeitada em algum momento, grite, faça barulho e se manifeste porque com certeza outras te darão apoio. Vale falar para autoridades como polícia militar ou civil, caso tenha algum policial acompanhando o seu bloco.

Foto: Roberto Assem
Ilu Obá de Min

Mãos femininas que tocam tambor para Xangô, ou Ilú Obá de Min, traduzido para o yorubá, a associação cultural organiza um bloco de carnaval com base nas raízes africanas e na mulher. Com uma bateria composta integralmente por mulheres, o tradicional bloco paulistano – que está nas ruas desde 2005 – apresenta em 2019 uma festa com o tema Negras vozes, tempos de Alakan.

Quando? 1 e 3/3. Sexta-feira, 19h às 22h; e domingo, 15h às 18h.
Onde? 1/3 – Concentração na Praça da República – Trajeto a confirmar
3/3 – Concentração na 
Alameda Barão de Piracicaba – Trajeto a confirmar

Foto: Camila Svenson – Coletivo Amapoa
Ritaleena

Há quatro anos fazendo carnaval de rua na cidade, o Ritaleena tem como norte a roqueira Rita Lee e sua vocação para vanguarda e rebeldia. Com muito rock ‘n roll e axé, a banda anima o público ao som de “Sucesso, Aqui Vou Eu” do álbum Build Up (1970) e “Dias Melhores Virão” do filme de mesmo nome de Cacá Diegues (1989). Rita Lee é gigantesca. É uma artista que atravessou gerações com um enorme apelo popular. Junto com Adoniran, foi ela quem mais cantou São Paulo. Ela é um símbolo de humor, de crítica, e das mil faces femininas que podem ser criadas”, conta Alessa, musicista, cantora e uma das idealizadoras.

Quando? 3/3.  Domingo, 14h às 20h.
Onde? 3/3 – Mooca | Concentração na Rua Borges de Figueiredo, 400 – Trajeto a confirmar
23/2 – Pinheiros | Concentração na Rua dos Pinheiros, 933 – Trajeto a confirmar

Legaliza pra nóis não morrê

Organizado pelo projeto Eu abortei porque, o bloco mostra que fervo também é política, e que toda hora é hora de falar sobre a questão do aborto e da importância dele para a vida e saúde das mulheres. É liberada a entrada de mães, crianças e todas as pessoas que simpatizarem com a causa!

Quando? 3/3. Domingo, 13h às 17h
Onde? Concentração no Largo da Batata – Trajeto a confirmar

Forrozin

O Forrozin, bloco da cantora e compositora Mariana Aydar, nasceu da vontade de celebrar a comunidade e a música nordestina em todas as suas vertentes nas ruas de São Paulo. O segundo ano do bloco conta com participações especiais de Felipe Cordeiro, Mestrinho, Bernadete França, Isabela Moraes e Junio Barreto.

Quando? 4/3. Segunda-feira, 10h às 15h
Onde? Concentração entre as Avenidas Ipiranga e São João – Trajeto segue até Teatro Municipal

Pirikita em chamas

Pela primeira vez nas ruas de São Paulo, o bloco propõe comunhão de corpos livres e almas libertinas, convidando lésbicas, gays, bis, travestis, transsexuais, trabalhadoras e trabalhadores, negras e negros para uma grande celebração e ocupação do centro de São Paulo. Com muito samba e ousadia, sempre acreditando no potencial e na história da música brasileira.

Quando? 5/3. Domingo, 11h às 16h
Onde? Concentração no Largo São Francisco – Trajeto para Hotel Cambridge.

Foto: Marcelo Justo
Pagu

Com 130 mulheres na bateria formada em oficinas próprias, o Blobo Pagu sai no seu terceiro ano embalado por clássicos famosos de intérpretes icônicas da nossa história. De Carmem Miranda a Marisa Monte. De Gal a Elis. De Amelinha a Marina Lima. Mulheres plurais, diversas, que ecoam seus desejos pela cidade em busca de respeito e liberdade, celebram suas vozes unidas e cada vez mais fortes.

Quando? 5/3. Domingo, 14h às 18h
Onde? Concentração na Praça da República – Trajeto a confirmar

Siga bem caminhoneira

Colocando o caminhão na rua desde 2017, a terceira edição do bloco de visibilidade lésbica percorre as ruas do centro de São Paulo com um repertório repleto de funk, axé, brega, sertanejo, pop, entre outros ritmos. Na bateria, mais de 100 mulheres, três vocalistas e participação especial do Bonde do Só Vem, grupo de funk com temáticas lésbicas.

“Acreditamos que o L da sigla LGBT vive num gueto escuro sem visibilidade e quando ela existe normalmente há uma fetichização. O Siga Bem dentro do carnaval mostra que as mulheres lésbicas existem e que elas são diversas, não são apenas um estereótipo de sapatão criado pela sociedade. Além disso é um espaço para mulheres se sentirem livres e seguras para mostrarem seus corpos e viver sua sexualidade”, explica Leka Peres, uma das organizadoras do evento.

Quando? 9/3. Sábado, 14h às 19h
Onde? Concentração na Praça Emilio Miguel Abella – Trajeto completo no evento

Bloco das Bandidas

O Coletivo Bandida, que realiza festas em São Paulo, sai pela primeira vez no carnaval da cidade. O line-up conta com discotecagem de Badsista, Jup do Bairro, Tacacá Kasahara, Cigarra, Brazook, entre outras.

Quando? 9/3. Sábado, 13h às 18h
Onde? Concentração na Praça da República – Trajeto a confirmar


Já rolou
Foto: Ivson Miranda
Filhas da Lua

Pelo segundo ano consecutivo, o bloco formado exclusivamente por mulheres cis e trans abrem o pré-carnaval de São Paulo, exibindo a força feminina pelas ruas do Bixiga. Crianças são muito bem vindas mamães, sempre. Homens são bem vindos para curtir a festa, ouvir o recado e cuidar do nosso cordão!

Quando? 23/2. Sábado, 10h às 12h
Onde? Concentração na Escadaria do Bixiga – Saída às 10h para contornar a Praça Dom Orione

Frevo Mulher

O bloco da cantora e compositora Elba Ramalho promete muito frevo e forró no carnaval de São Paulo. No seu segundo ano, Elba emenda no bloco Bicho maluco beleza, de Alceu Valença.

Quando? 23/2. Sábado, 12h30 às 15h30
Onde? Concentração no Obelisco do Ibirapuera – Trajeto a confirmar

Desculpa qualquer coisa

Espaço de diversão com respeito, pluralidade e voltado para mulheres lésbicas e bissexuais, sejam elas cis ou trans. Assim se define o Desculpa qualquer coisa, primeiro grande bloco lésbico da cidade, que convidou o público LGBT a ocupar o centro. Axé, pop, funk, arrocha, sertanejo e brega animam o cortejo que reúne um line-up só com mulheres e performances com as mulheres do Maravilhosas Corpo de Baile, estúdio feminista de pole e danças que abriga um coletivo artivista girl power.

Nesse ano, o bloco conta com a participação da bateria do blobo Siga Bem Caminhoneira, além das DJ’s Sol Lima & Thaís Esmeraldo, Stefanie Dias & Marília Castelli, Elky Araujo & Sal Esaú, Dj Grace Kelly e DJ Renata Corr.

Quando? 23/2. Sábado, 15h às 20h
Onde?  Concentração entre as ruas Matias Aires e Fernando de Albuquerque – Trajeto completo no evento.

Siriricando

“Quem não tem sua siririca, siririca mesmo só, porque sem siriricar essa vida é uó”. O trecho do hino oficial do bloco siriricando mostra que, de 2017 pra cá, a visibilidade lésbica tem sido muito pautada do carnaval paulistano! Em sua terceira edição, o bloco convida todas as mulheres a participarem da folia no Centro de SP, já que assim como a siririca, o bloco é livre e acessível para qualquer uma. No repertório não falta axé, funk, pop e marchinhas de carnaval ressignificadas (o hino oficial, por exemplo, é uma versão de “Sassaricando”).

Quando? 24/2. Domingo, 15h às 20h
Onde? Concentração na Praça Dom José Gaspar – Trajeto a confirmar

Dona Yayá

Completando 19 anos de fuzarca feminista da Yayartes, a União de Mulheres de São Paulo convida o público a pular carnaval pelas ruas do Bixiga. O bloco conta com a participação dos blocos amigos Fuá, Mal Amadas e Maiô nu Rego. Crianças são mais que bem-vindas na ala especial Yayá Mirim.

Quando? 24/2. Domingo, 15h30 às 20h
Onde? União de Mulheres de São Paulo – Saída às 16h30 da Rua Coração da Europa, 1395, com trajeto pelas ruas adjacentes do Bixiga

(Imagem de capa: Campanha “Não é não” | Foto de Paula Molina e Henrique Fernandes).