Leia mulheres: Clubes de leitura feminista em SP

Você já leu um livro tão maravilhoso que teve vontade de fazer todas as amigas lerem só pra poder conversar sobre ele? Quem nunca terminou uma leitura e ficou morrendo de vontade de debater e falar sobre ela por dias? É para aliviar essas angústias que nascem os Clubes de leitura feminista!

Os clubes de leitura começaram no século 18, nos quais americanos puritanos se encontravam para estudar a bíblia, e burgueses franceses se encontravam para ler livros e fazer grandes debates intelectuais. O que liga esses encontros arcaicos aos diversos clubes que temos hoje é um acontecimento de 1868 nos Estados Unidos, quando jornalistas mulheres foram impedidas de participar de um evento literário apenas por serem mulheres.

Foi a partir desse acontecimento que Jennie June (pseudônimo da jornalista Jane Cunningham Croly) fundou o Sorosis, um clube de mulheres voltado para estudos e leituras. A iniciativa foi divulgada e pouco tempo depois as associações femininas se multiplicaram nos Estados Unidos na segunda metade do século 19.

A leitura em grupo pode trazer muitas vantagens: pluralidade de interpretações sobre a mesma narrativa, discussões sobre o contexto da obra, o compromisso da leitura, a criação do hábito de ler… Sem contar no prazer de poder ir em encontros regulares onde todas estão lendo o mesmo que você, logo, a conversa pode fluir sem medo de spoiler!

Para te ajudar a escolher um clube de leitura para chamar de seu, o Guia Maria Firmina buscou algumas sugestões de encontros regulares que leem apenas escritoras. Escolha o seu que ainda dá tempo de se comprometer com algo super legal antes do ano terminar.

Clube de leitura feminista

Encabeçado pela jornalista e ativista Carol Patrocínio, o Clube de leitura feminista da Casa 1 convida todos que querem participar de uma leitura coletiva. Não é necessário comprar o livro e nem ler antes: a leitura é coletiva, junto com uma conversa sobre essa experiência em conjunto. “Um grupo de leitura em que vamos trocar experiências, vivência e sentimentos que os livros geram em nós, sempre com um ponto de vista feminino e libertador. Sem palavras difíceis ou conceitos inatingíveis, papo pé no chão e pra não deixar ninguém com dúvidas”, explica a organizadora. A primeira leitura do grupo foi o livro de Amara Moira, e em outubro, o livro iniciado foi Hibisco Roxo, da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie.

Onde? Casa 1 | Rua Condessa de São Joaquim, 277  (próx. ao metrô São Joaquim)
Quando? Quinzenalmente, mas sem datas fixas. Os encontros são divulgados no facebook.

Chimamanda Ngozi Adichie é a segunda escritora lida no clube de leitura feminista da Casa 1
Clube Lesbos

Com o objetivo de fortalecer o trabalho de mulheres lésbicas e bissexuais, o clube Lesbos se propõe a fazer reuniões mensais que discutem um livro, um filme ou uma série com personagens (ou autoras) lésbicas. Os temas das leituras são variados e os encontros são divulgados na página do facebook.

Onde? Os locais não são definidos.
Quando? As datas e locais são divulgadas com antecedência na página do facebook.

Leia Mulheres

Organizado por Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques, o Leia Mulheres é um coletivo com o objetivo de estimular a leitura, o debate e a divulgação de livros escritos por mulheres, a partir da organização de clubes de leitura e de eventos sobre literatura em livrarias, centros culturais e bibliotecas em diversas cidades do Brasil. Em São Paulo, o encontro acontece no Centro Cultural São Paulo no último sábado do mês. Hilda Hilst, Conceição Evaristo, Samantha Schweblin e Caitlin Doughty são algumas das escritoras que já foram lidas pelos participantes do grupo.

Quando? Último sábado do mês. A programação pode ser vista no site.
Onde? CCSP | Rua Vergueiro, 1000 (ao lado do metrô Vergueiro)

Our Shared Shelf

Emma Watson, embaixadora da ONU Mulheres conhecida mundialmente como Hermione Granger, sentiu a necessidade de aprender tudo sobre equidade de gênero ao assumir o cargo nas Nações Unidas. Foi a partir disso que surgiu o Our Shared Shelf, um clube de leitura virtual no qual, uma vez a cada dois meses, a atriz debate um título escolhido por ela mesma com mais de 200 mil pessoas.

Alguns livros já discutidos no clube liderado por Emma Watson

O grupo já debateu mais de 20 de títulos, e o da vez é Good and Mad: The Revolutionary Power of Women’s Anger, de Rebecca Traister. O livro ainda não tem previsão de lançamento no Brasil, mas muitos livros já discutidos no clube online possuem versões em português: Mulheres que correm com os lobos, Outros jeitos de usar a boca, O conto da Aia e o Mito da Beleza são alguns dos títulos que já foram debatidos. Vale a pena entrar e ficar de olho nos títulos que já tem versões brasileiras, afinal, é bem legal saber o que a embaixadora da ONU Mulheres está lendo, né?