5 filmes de diretoras negras brasileiras para conhecer

Em 2017, o boletim “Raça e Gênero no Cinema Brasileiro” divulgou dados que mostravam a ausência de diretoras negras brasileiras nas produções cinematográficas nacionais. Dos 498 filmes com público superior a 500 mil espectadores, produzidos entre 1970 e 2016, que foram analisados, apenas 2% deles teve uma mulher na direção. E em toda a pesquisa apenas uma mulher negra foi identificada, Julciléa Telles, que divide o roteiro de A gostosa da gafieira (1981), com Roberto Machado.

Os dados são assustadores  e sabemos que  diversos fatores influenciam para que a trajetória de uma cineasta negra brasileira seja tão difícil. Mas isso não abalou as diretoras. Separamos 5 curtas e longa-metragens assinados por diretoras negras brasileiras para mostrar que a produção não para, mesmo com todos os empecilhos impostos às artistas no país.

Vamos começar esta listinha com uma pioneira. Adélia Sampaio foi a primeira diretora negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, em 1984, dirigiu Amor Maldito. Adélia Sampaio, filha de uma  empregada doméstica, assina também: Denúncia VaziaUm Deus dança em MimAdulto não brinca e Na poeira das ruas.

Amor Maldito (1984) 

Esta produção  é considerada a primeira com temática inteiramente lésbica no cinema nacional, conta a história de Fernanda, que tem a vida organizada, emprego garantido e um pequeno apartamento. E Sueli que sonha em ser famosa, chegar à televisão, posar para revistas masculinas. As duas se conhecem quando Sueli vende para Fernanda convites para um concurso de miss. As duas voltam a se encontrar na praia, após Sueli, depois de vencer o concurso, ter sido expulsa de casa pelo pai conservador. Fernanda, solidária, oferece abrigo a Sueli, e nasce o romance entre as duas. Tudo vai bem até que Sueli se envolve com um jornalista, que parece ser o meio de realização de seus sonhos. Sueli engravida, desespera-se e suicida-se. Fernanda é acusada pela morte de Sueli. E os preconceitos afloram no julgamento.

*Disponível na íntegra no YouTube

Foto: Divulgação
 Gurufim na Mangueira (2000)

Curta de Dandara, também uma das cineastas pioneiras. Gurufim na Mangueira foi recusado três vezes pelo Ministério da Cultura antes de ser aprovado. Para burlar o racismo da instituição, Dandara assinou o projeto com o pseudônimo francês de Mônica Behague, e assina apenas o roteiro com o seu nome verdadeiro.

O filme fala da morte súbita de jovem músico e líder comunitário.  A comunidade verde-rosa  então se reúne na quadra na Mangueira para homenageá-lo, mas fatos surpreendentes vão acontecer nesta estranha cerimônia.

Foto: Divulgação
A quem das nuvens (2012)

Curta dirigido por Renata Martins, A quem das nuvens foi exibido em mais de dez países, premiado no Festival Unasur na Argentina, e também venceu o  TALTV – Televisão da América Latina em 2014. Conta como Nenê, casado com Geralda há 30 anos, em uma tarde de domingo, como de costume, foi à roda de samba encontrar os amigos.  E ao voltar para casa, surpreende-se com uma notícia sobre Geralda. Sem deixar que o ritmo do samba caia, Nenê encontra uma solução para ficar ao lado de sua eterna namorada

*Disponível na íntegra no YouTube

Foto: Divulgação
Kbela (2015)

KBELA é uma experiência audiovisual realizada de forma colaborativa por mulheres negras sobre mulheres negras. Com roteiro e direção de Yasmin Thayná, o curta fala das histórias de transição capilar ou mesmo da resistência e luta de mulheres pelo direito de terem sua beleza natural, sem intervenção da indústria e da opinião da sociedade.

O filme recebeu o prêmio de Melhor Curta-metragem da Diáspora Africana da Academia Africana de Cinema (AMAA Awards 2017) e foi convidado para dezenas de festivais ao redor do mundo, entre eles o Festival Internacional de Cinema de Roterdã (IFFR, 2017) e FESPACO – Festival Panafricano de Cinema e Televisão de Ouagadougou, em Burkina Faso, o maior do continente africano.

No site é possível assistir online ou baixar o filme, além de saber todos os detalhes da produção.

Foto: Divulgação
Café com Canela (2018)

Primeiro longa-metragem de Glenda Nicácio em parceria com Ary Rosa. Após perder o filho, Margarida (Valdinéia Soriano) vive isolada da sociedade. Ela se separa do marido Paulo e perde o contato com os amigos e pessoas próprias. Um dia, Violeta (Aline Brunne) bate à sua porta. Trata-se de uma ex-aluna de Margarida, que assume a missão de devolver um pouco de luz àquela pessoa que havia sido importante pra ela na juventude.

Filme vencedor do Prêmio Petrobras de Cinema, também fez parte da seleção oficial do Festival Internacional de Cinema de Roterdã, e venceu o prêmio de melhor filme pelo Júri Popular no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O longa, que estreou em agosto de 2018, foi o segundo longa-metragem nacional de ficção dirigido por uma mulher negra a estrear comercialmente no país. O primeiro foi Maldito Amor, como já citamos, lançado há 34 anos.