Memorial Maria Firmina resgata história da escritora

No dia 11 de novembro de 2017 completou-se 100 anos da morte de Maria Firmina dos Reis. No mesmo ano criamos o Guia Maria Firmina, para homenagear a escritora.

Entre tantas artistas brasileiras, escolhemos ela por ter sido uma mulher extremamente importante para a nossa literatura, mas, mesmo assim, não foi reconhecida como deveria. Além disso, o papel principal do Guia Maria Firmina é divulgar o trabalho de artistas maravilhosas que são desconhecidas, ou ainda pouco conhecidas, assim como nossa homenageada.

Chegamos novamente à data marcada pela morte de Maria Firmina, 11 de novembro. Neste último ano pudemos observar que a escritora ganhou bastante notoriedade (antes tarde do que mais tarde, não é mesmo). Com a ajuda da socióloga e pesquisadora Luciana Diogo, do Memorial de Maria Firmina dos Reis, descobrimos que só neste ano mais de 20 matérias foram publicadas na imprensa sobre a escritora, também homenageada na FLUP – Festa Literária das Periferias, no Rio de Janeiro.

Para quem ainda não sabe, quem foi Maria Firmina dos Reis?

Maria Firmina dos Reis nasceu em 11 de outubro de 1825, em São Luís, Maranhão. Filha bastarda de mãe negra, escrava alforriada, e pai branco, Firmina enfrentou as barreiras de gênero, raça e classe para, dentro das possibilidades, se alfabetizar. Aos 22 anos se tornou a primeira mulher concursada para o cargo de professora do estado do Maranhão.

Ilustração do livro “Extraordinárias – Mulheres Que Revolucionaram o Brasil”

“Úrsula” (1859), primeiro romance escrito por uma mulher, negra, e com temática abolicionista foi de Maria Firmina, que omitiu sua identidade assinando como “Uma Maranhense”. Além do romance de estreia, a escritora tem diversos poemas e contos publicados.

Em 1880, fundou a primeira escola pública mista do Maranhão onde estudavam meninas e meninos – algo tão ousado na época que foi fechada pouco tempo depois pelas chaves do machismo e do racismo. E oito anos mais tarde compõe o Hino da Libertação dos Escravos (letra e música).

Em 11 de novembro de 1917 Maria Firmina do Reis faleceu aos 92 anos, cega e pobre, segundo os registros da época.

Voltando para 2018…

Luciana Diogo se formou em Ciências Sociais, e pelo amor à literatura, vindo desde a adolescência, decidiu que este seria o tema do seu mestrado. Por lá encontrou Maria Firmina e iniciou a pesquisa no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP) sobre a autora.

Úrsula, primeiro romance abolicionista do Brasil escrito por uma mulher negra, ganhou uma reedição especial em 2018

Além da tese de mestrado, o estudo gerou frutos, o site Memorial de Maria Firmina dos Reis, que reúne diversos conteúdos sobre a vida e obra da escritora. “O Memorial de Maria Firmina dos Reis é um espaço digital criado para salvaguardar a memória da escritora. O sítio reúne os materiais disponíveis sobre Maria Firmina dos Reis, dispersos em vários locais, de forma que estudantes, pesquisadores e interessados em geral possam explorar a riqueza da obra dessa escritora negra brasileira”, conta Luciana.

No site encontramos links para as publicações originais de Firmina nos jornais e livros da época, além das edições e reedições posteriores, seguindo pela trajetória da escritora e de sua carreira como professora de primeiras letras. Podemos também acompanhar a circulação de seu nome pela imprensa maranhense oitocentista, por exemplo. “Esse trabalho de pesquisa, seleção, organização e disponibilização dos conteúdos, transformou nosso trabalho em um dos sites mais completos sobre uma escritora em nosso país”.

Maria Firmina ainda não é reconhecida nacionalmente como a primeira romancista brasileira, mas iniciativas como o Guia Maria Firmina e o Memorial de Guia Maria Firmina ajudam a retirar a obra e a autora do esquecimento.