Série fala de Mulheres que dão nome à ruas de SP

Você lembra qual foi a última vez que passou por uma rua, avenida ou viela com o nome de uma mulher? É, talvez seja mesmo difícil de lembrar porque em São Paulo, por exemplo, apenas 15% das vias públicas homenageiam uma figura feminina. Ao todo são um pouco mais de 3.300 vias da capital que recebem nome de uma mulher, de acordo com o levantamento da proScore.

Mesmo que você já tenha passado por esses lugares: Rua Maria Antônia, Avenida Anália Franco, Rua Anita Malfatti, Praça Pérola Byington, ou pelo largo Dona Ana Rosa…Você sabe quem foram essas mulheres? Pois é, nem a gente, e foi exatamente isso que a Alana Carvalho também percebeu. Para reverter essa história ela criou o projeto Mulheres de SP, que tem a proposta de difundir e homenagear o legado dessas mulheres.

“A ideia do projeto é resgatar e valorizar a história de mulheres que transformaram São Paulo de alguma forma, e deixaram um legado para a cidade. Quando a gente parou para pensar que tínhamos pouquíssimos nomes de mulheres, isso chamou a nossa atenção para quem foram elas. Então, fomos em busca de mulheres que foram importantes para a cidade, não necessariamente paulistanas, mas que fizeram a diferença por aqui”, conta Alana Carvalho, sócio-fundadora do Viva Cultura e escritora da Série Mulheres de SP.

O bairro Higienópolis foi praticamente fundado por três mulheres: Maria Angélica de Souza, Veridiana da Silva Prado e Maria Antônia da Silva Ramos. Mas dá um google na história de Higienópolis, há vários artigos, e muitos deles, inclusive o do Wikipédia, citam as três apenas como mulheres ou filhas de barões do café, ou nem sequer as citam.

A Dona Veridiana, por exemplo, foi uma das mulheres mais importantes de SP no século XIX. Praticamente best da Princesa Isabel, defensora da equidade de gênero, amante das artes, gostava de organizar grandes eventos, bailes, festas e saraus nos salões de seu palacete que fica na esquina da Rua Higienópolis com a Rua Dona Veridiana. Além de tudo isso, ela ainda financiava jornais da época e é a mãe do primeiro prefeito de SP.

Mas é claro que a gente não ficou sabendo dessa história toda pelo Google. Quem nos contou foi a #SérieMulheresDeSP, que pode ser encontrada no Instagram por essa hashtag. Ler essas histórias publicadas em uma rede social até dá a ilusão de que foi fácil reunir todas as informações, mas Alana conta que deu um duro danado para organizar tudo aquilo. “Tem algumas histórias que foi preciso fazer uma espécie de colcha de retalhos com todas as informações picadas que encontramos, porque ninguém nunca teve essa preocupação de reunir e contar essas histórias. A pesquisa vai desde documentos, artigos e reportagens da época a visitas ao arquivo municipal”.

A série, que conta com 16 histórias já publicadas, será lançada em formato de livro com todas as a histórias na íntegra, e ainda contará com ilustrações e foto. Além da série, o projeto Mulheres de SP ainda propicia experiencializar as histórias das mulheres da nossa cidade por meio de visitas e caminhadas turísticas, como a que acontecerá em abril em Higienópolis. Ainda sem data confirmada (mas fiquem atentas), o passeio fala das fundadoras do bairro, passando pelas icônicas calçadas com piso geométrico paulistano de Mirthes Bernardes – sim, ela foi a ganhadora de um concurso que elegeu o novo (na época) padrão das calçadas da cidade – e terminar o passeio no MASP de Lina Bo.

Mirthes Bernardes foi a criadora do famoso piso com os contornos do mapa do Estado de São Paulo | Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

Esse projeto incrível continua crescendo e dando mais frutos, está prevista para maio a segunda temporada da #SérieMulheresDeSP, trazendo mais 15 histórias inéditas. Achou que para por aí? Não! No dia 27/03, o Viva Cultura e o Terraço Itália apresentam a palestra “O Legado das Mulheres para SP”, um bate- papo para contar a história de Anália Franco, Pagu, Dona Yayá e tantas outras.

O que? O Legado das Mulheres para SP
Quando? 27/03 às 19h
Onde? Circolo Italiano San Paolo – Edifício Itália | Av. Ipiranga, 344 – 1º andar
Quanto? Gratuito, mas precisa se inscrever pelo e-mail circolo@circoloitaliano.com.br ou pelo telefone: (11) 3154-2903.

#Curiosidade nos anos 1970: Cerca de 20 mil ruas da cidade de São Paulo não tinham nome. Para solucionar este problema a Prefeitura contratou estagiários para criar os nomes, foi assim que nasceram logradouros como: Borboletas Psicodélicas, Charanga do Circo, Soneto da Fidelidade e Estilo Barroco, que permanecem até hoje. Pelo jeito nomes totalmente aleatórios são mais dignos para ocupar este espaço do que os nomes de mulheres que viveram por ali, por exemplo.