Mundos possíveis nos traços abstratos de Hilma af Klint

Em exposição na Pinacoteca desde o dia 03 de março, a obra de Hilma af Klint é vista pela primeira vez, individualmente, na América Latina.

A mostra Hilma af Klint: Mundos possíveis conta com 130 obras da artista, incluindo a série “As dez maiores” –  dez quadros enormes que retratam as quatro idades do homem sob a perspectiva espiritual, feitas em guache e aquarela – considerada hoje como uma das primeiras e maiores obras abstratas do mundo ocidental. Outros destaques da exibição são algumas obras que nunca tinham sido apresentadas ao público.

Detalhe de uma das telas integrantes do trabalho “As dez maiores” | Foto: Divulgação

Mas quem foi Hilma af Klint? E por que a artista deixou em testamento o desejo de que suas obras fossem expostas apenas vinte anos após a sua morte?Hilma nasceu e viveu na Suécia, de 1862 a 1944. Foi umas das primeiras, e na época, pouquíssimas mulheres que frequentavam a Real Academia de Belas Artes, principal centro de educação artística da capital sueca. Klint foi uma mulher que não cumpriu o roteiro designado às mulheres de sua época, não se casou e  era inteiramente entregue ao seu trabalho.

A artista, que não aparece nos livros de história da arte, começou a pintar telas abstratas e não-figurativas antes mesmo de Kandinsky, considerado um grande pioneiro na arte da abstração

Apesar de frequentar a academia, o que realmente definiu os traços da pintura de Hilma foi a busca espiritual iniciada profundamente após a morte de sua irmã mais nova, este fato foi determinante para que ela se interessasse mais pela espiritualidade. Os traços abstratos de suas obras passaram a ser a representação física em tela do mundo espiritual, daquilo que não se vê.

O interessante é que a artista, que não aparece nos livros de história da arte, começou a pintar telas abstratas e não-figurativas antes mesmo de Kandinsky, considerado um grande pioneiro na arte da abstração. Teve influência dos movimentos espirituais como o Rosa-cruz, a Teosofia e, mais tarde, a Antroposofia. Ela integrou o grupo artístico As cinco”, composto por mulheres que acreditavam ser conduzidas por espíritos elevados que desejavam se comunicar por meio de imagens.

Retrato da artista | Foto: Divulgação

A falta de compreensão de suas obras, na época, fizeram com que a artista não as expusessem em público, e mais ainda, que deixasse registrado o desejo que elas apenas fossem reveladas 20 anos após a sua morte. Ela acreditava que a sociedade não estava pronta para entender de significado de suas telas.

Hilma af Klint morreu aos 95 anos, deixando mais de 1200 pinturas, 124 cadernos com notas e desenhos em mais de 26000 páginas manuscritas e datilografadas.

“As dez maiores” são telas que mostram as quatro idades espirituais do homem

O que? Exposição Hilma af Klint: Mundos possíveis
Quando? 03/03 a 16/07. Quarta a segunda-feira, das 10h às 17h30
Onde? Pinacoteca – Praça da Luz, 2
Quanto? R$3  a R$6. Entrada gratuita aos sábados
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