Nossa história invisível e o protagonismo da mulher negra

Nossa história invisível é uma websérie criada por quatro minas  da periferia de São Paulo. O projeto conta a história de dez mulheres negras, que além do racismo e machismo, também sofrem por fazerem parte de outras minorias sociais.

Após criarem o Coletivo Representapreta, as quatro produtoras de conteúdo audiovisual Agnis Freitas, Camila Izidio, Carol Rocha e Karoline Maia encaminharam o seu projeto para o VAI – Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais. A ideia ganhou o edital e conseguiu a ajuda financeira da Prefeitura de São Paulo para comprar os equipamentos básicos de filmagem, cobrir os custos de condução e alimentação e dar uma pequena remuneração para cada.  

Nenhuma das quatro criadoras é personagem da série, mas juntas protagonizam a mudança em suas próprias histórias. Através das lentes de suas câmeras contam as histórias de outras mulheres marcadas pelos estigmas sociais que a sua cor, gênero e classe impõem.

“É tão imposto a imagem que a mulher negra vem sempre da periferia, sempre sofrida e triste, que acaba fazendo  com que a gente não valorize o que produzimos. Acho que por sermos quatro minas e estarmos conseguindo tudo isso, a gente tá acreditando. É muito importante passar essas histórias para que outras mulheres acreditem nelas mesmas, corram atrás de editais e ocupem esse espaço”, conta Carol Rocha. 

O primeiro episódio fala de Rosa Luz, artista transsexual. Em seguida vem a história de Maria Ordália, umbandista. O terceiro episódio tem uma mulher lésbica como personagem, Thaís Oliversi,  e é dedicado a Luana Barbosa, mãe, preta, periférica e lésbica morta pela polícia militar de Ribeirão Preto.

Foto: Divulgação

Os outros relatos são de Sizineide Souza, empregada doméstica; Rudmira Fula, imigrante angolana; Raquel Araújo, portadora de deficiência causada por uma doença raríssima; Vírginia Rodrigues, ex-presidiária e hoje empreendedora; Cristiane Ribeiro, mulher sonhadora em situação de rua; a travesti e prostituta  Bia Matto,  e para finalizar, e mostrar o inícios de novos tempos,  Maria Julia, de sete anos manda a sua mensagem para outras: “não alisem o cabelo”.

A iniciativa de usar a linguagem do audiovisual para dar voz às questões dessas mulheres é uma forma de mostrar o poder que elas já têm, e incentivar a ocupação desse espaço de produção de conteúdo e cultural, elitizado e distante das questões raciais e de gênero. 

“Quando a gente escolhe contar a história de mulheres negras, acabamos contribuindo um pouco para reconstruir a imagem da mulher negra no Brasil que invisibiliza tanto a gente. Falar dessas mulheres é reafirmar que a gente existe, que estamos aqui resistindo, que precisamos mudar muitas coisas e que precisamos de novas narrativas. A gente quer mostrar outras possibilidades de histórias, especialmente no Brasil, que é o nosso cenário”, afirma Karoline Maia.  

Todos os episódios estão disponíveis no Canal Nossa História Invisível e na Fanpage do Canal.

Produtoras da série: Carol Rocha, Camila Izidio, Karoline Maia e Agnes Freitas