Pagu – Liberdade e respeito no carnaval

Nem só de folia, purpurina e alegria é feito o carnaval, é nesta época também que o discurso do “tudo pode” dá espaço ao assédio. Segundo a análise de denúncias realizadas pelo “Disque 100”, nos últimos dois anos, as queixas de violência sexual contra crianças, adolescentes e mulheres aumentam até 20% no período do Carnaval.

Foi ao ter acesso a dados como esses que Mariana Bastos e Thereza Menezes resolveram mudar um pouco essa história. “Eu e a Thereza já tínhamos vontade de fazer algo que envolvesse o universo feminino de alguma maneira, e quando nos deparamos com a informação de que o carnaval era o momento em que a mulher mais sofria violência, assédio e abuso, entendemos que podíamos fazer algo que promovesse diversão com consciência e que valorizasse a figura da mulher em um momento em que ela é tão desprestigiada”, conta Mariana.

Daí nasceu, em outubro de 2016, o Bloco Pagu, como muitas das coisas feitas por mulheres, para somar e nos fortalecer. Três meses depois, Pagu já estava nas ruas do carnaval de São Paulo com uma bateria formada por mais de cem mulheres dando o ritmo para as interpretes principais, Barbara Eugênia, Julia Valiengo (Trupe Chá de Boldo) e Soledad aos clássicos da MPB famosos nas vozes de ícones como Carmem Miranda, Elis Regina e Gal Costa.

Logo no primeiro ano elas arrastaram 7 mil pessoas para a rua. No segundo foram 25 mil, e para este ano já são esperadas 40 mil, sendo um dos mais expressivos blocos do nosso carnaval. É lindo de ver essa multidão toda unida e alegre entorno da missão de exaltar a busca por igualdade e respeito à liberdade da mulher.

Patrícia Galvão, a Pagu, foi escritora, jornalista, produtora cultural e uma das mais importantes figuras femininas do século XX. Foi também um dos grandes nomes do movimento modernista brasileiro, junto com Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Anita Malfatti.

Pagu foi uma defensora da liberdade e dos direitos da mulher, ninguém melhor para ser o estandarte de um bloco que tem a mesma luta. “A gente enxerga a Pagu como uma figura que representa do que gostaríamos de dizer”, afirma Mariana.

O bloco também oferece oficinas de formação de ritmistas que começam a partir do segundo semestre deste ano, todas às terças-feiras, das 19h às 22h. Nelas as futuras ritmistas do bloco aprendem sete instrumentos diferentes para integrarem a bateria no Carnaval 2020.

Aviso importante: se você sofrer ou ver alguém sofrendo abuso, assédio ou qualquer violão física, moral e psicológica, denuncie pelo 180 ou disque 100. Assédio sexual é crime!

Desfile do Bloco Pagu
Quando? 5/3. Domingo, 14h às 18h
Onde? Concentração na Praça da República – Trajeto a confirmar