O balanço tropical das Pitaias

Os espinhos dos cactos trabalham juntos, sobrepondo-se uns aos outros, para proteger a planta, fazendo com que ela sobreviva ao ambiente hostil das regiões áridas. Em meio aos espinhos de uma das espécies de cactos, nativa da América Central, nasce a Pitaia. De forma semelhante é o que também faz a banda ‘Pitaias’, ao se lançar como uma rede proteção e sororidade em uma sociedade em que ser e sobreviver como mulher não é nada fácil.

Formada por Beatriz Mantoani (baixo), Luri Mantoani (sax alto), Mag Magrela (voz), Natália Ferlin (guitarra), Norma Odara (voz) e Priscila Norat (bateria e percussão), a banda paulistana iniciou os trabalhos em 2016. Com composições autorais, sendo a maioria das músicas criadas coletivamente, as letras falam das suas vivências cotidianas, ancestralidade, questões político-sociais, a cura e amor.

Das referências musicais de cada uma das integrantes surgiu o ritmo próprio das Pitaias, mistura do samba, reggae, forró, ritmos afro brasileiros e até o rock. Em novembro de 2018, a banda lançou o seu EP de estreia, também chamado de Pitaias, já disponível nas principais plataformas digitais e no YouTube.

Para saber mais sobres a mistura dessas essas seis mulheres, conversamos um pouco com elas. Fiquem ligadas no ritmo das Pitaias por aí!

Foto: Julia Dolce

Os ritmos das canções vão do afro brasileiro ao rock, passando um pouco pelo pop também, a banda acredita que essa mistura de ritmos é a nova pegada da música popular brasileira?
Acreditamos que isso seja uma tendência sim, devido às trocas culturais que os meios de comunicação e internet nos oferecem.

Como foi o processo de criação do EP?
É com muita alegria que lançamos esse EP! Ele representa uma amostra de nosso trabalho que vem sendo feito desde o começo da banda, há dois anos. Foi uma produção independente, baseada em parcerias amigas e muito suor de cada uma de nós, mas ainda assim, tudo fluiu super bem.

Qual a importância de fazer arte em tempos tão conturbados politicamente como o que estamos vivendo?
É essencial. Somente através da arte poderemos resistir e transformar o momento que estamos passando.

Conhecemos o trabalho da Mag Magrela como grafiteira, mas não sabíamos do lado musical, as outras integrantes também são multiartistas?
Todas temos atividades paralelas variadas, e ligadas às expressões artísticas, seja com a costura, comunicação e jornalismo, produção musical, percussão corporal e até mesmo artes marciais.

Quem são as artistas que inspiram você?
Elza Soares, Gal Costa, Dona Ivone Lara, Ella Fitzgerald, Simone Soul, Frida Kahlo, Lina Bobardi.

Acreditam que o cenário para mulheres artistas vem mudando nos últimos anos?
Sim. Através de muita luta, cada vez mais as mulheres vêm ocupando um espaço que ainda é muito dominado por homens.

Quais são os próximos passos da banda?
A intenção é aumentar a divulgação de nosso trabalho com o EP, e já nos prepararmos para novos lançamentos futuros.

Ouça o EP no YouTube: