Raquel Trindade: 82 anos de arte, amor e resistência

Por Martina Ceci*

Em 10 de Agosto de 1936, nascia em Recife (Pernambuco) Raquel Trindade. Filha do poeta e ativista Solano Trindade e da coreógrafa Maria Margarida Trindade, Raquel foi e ainda é, uma das mais importantes mulheres ativistas e símbolo da cultura afrobrasileira.

Eu sou negra, artista popular, nordestina, candomblezeira, militante do movimento negro e militante socialista.
Raquel Trindade em entrevista para web série Empoderadas (2015)

Coreógrafa, professora, artista plástica, poeta, escritora e folclorista, Raquel fundou, nos anos 70, em homenagem a seu pai, o Teatro Popular Solano Trindade. Localizado em Embu das Artes (SP), o teatro hoje é considerado o maior centro de cultura popular negra da região. Raquel ficou conhecida por muitos como Rainha Kambinda, apelido que faz referência a nação africana Cabinda e a Nação Kambinda de Maracatu, um dos muitos movimentos artísticos que liderou.

Nas artes plásticas fez sua primeira exposição em 1966, colaborando com a fundação do movimento de artes da Praça da República (SP). Raquel Trindade foi ponte, viveu arte e cultura todos os dias. É autora de Embu: de Aldeia de M’Boy Mirim a Terra das Artes. Foi guardiã de conhecimento e tradições.

Raquel chegou a lugares que não imaginava, mas almejava. Foi docente na Universidade de Campinas (Unicamp) em aulas de folclore, teatro negro e sincretismo religioso. Na mesma Universidade, propôs um curso de extensão com objetivo de ampliar a presença negra na na academia: com mais de 100 inscritos foi criado o Urucungos, Puítas e Quinjengues, grupo para apresentações de danças pesquisadas e criadas por Raquel, formado por alunos, funcionários e professores da Unicamp.

Raquel Trindade com seu quadro “Inspiração nas religiões afro-brasileiras” | Foto: Acervo Teatro Popular Solano Trindade

Em 2012 foi condecorada como Comendadora da Ordem do Mérito Cultural. No último 15 de Abril, a Rainha Kambinda, ao som do jongo e maracatu, encerrou sua jornada de força, luta, resistência e amor pela vida.

Pesquisar na fonte de origem e devolver ao povo, em forma de arte.
Solano Trindade

* Martina Ceci é uma jornalista e mogiana que acredita nas pequenas alegrias da vida.