Rózà: a importância de Rosa Luxemburgo no teatro e nas lutas contemporâneas

Qual a relação entre movimento secundarista, revoltas de junho de 2013 e Rosa Luxemburgo? Criado a partir de cartas de prisão da economista , intelectual e feminista Rosa Luxemburgo, o espetáculo Rózà está em cartaz na Oficina Cultural Oswald de Andrade e traz a figura da grande revolucionária socialista para o presente.

Foto: Divulgação

Encenado dentro de um retângulo limitador que aproxima o público das artistas, transmitindo o sentimento de prisão, o trabalho é dirigido por Martha Kiss Perrone e desenvolvido em parceria com as atrizes-criadoras Joana Levi e Lowri Evans. O espetáculo multimídia mostra, a partir da palavra, do vídeo e da música, a relação entre teatro e cinema.

E por que Rosa Luxemburgo? Revolucionária, filósofa e economista marxista, Rosa participou do grupo que fundou o Partido Comunista da Alemanha (KPD). Foi uma importante pensadora da esquerda europeia assassinada em Berlim, 1919. “Me aproximei pela sua forma de militância quando li uma biografia sobre a vida dela . Como ela mesma dizia ‘eu sou uma terra de possibilidades infinitas’ e, desde o início da criação da peça, nunca passou pela minha cabeça que seria uma única mulher em cena, porque a ideia era mostrar justamente a pluralidade de Rosa e como ela pode aparecer em cada um de nós, um espectro que pode habitar vários corpos”, conta a diretora.

O espetáculo já foi apresentado em diversos lugares do país. De ocupações do movimento secundarista à quadras de colégios no interior de São Paulo, Rózà emociona por onde passa. “É uma peça que potencializa quem vê, porque a Rosa é o corpo apaixonado pela existência, pelas pessoas, pela revolução. Horas antes de ser assassinada ela finaliza um artigo escrevendo ‘Eu fui, eu sou, eu serei’. Ela estava falando da revolução, mas podemos aplicar a ela também, porque deixa esse ciclo aberto para as mulheres que assistem a peça: elas se reconectam com as forças do passado, do presente e do que pode ser”.

O Coletivo Rózà inicia a partir da próxima semana a criação do próximo espetáculo, A revolta Lilith, que contará a história das mulheres que foram expulsas do paraíso. O texto envolve bruxas, feministas e mulheres ignoradas historicamente. No espetáculo, que tem previsão de estreia em janeiro de 2018, Lilith que ficou calada por muitas gerações volta para falar.

Ficha Técnica
Concepção: Martha Kiss Perrone
Direção: Martha Kiss Perrone e Joana Levi
Atrizes: Lowri Evans, Joana Levi, Martha Kiss Perrone, Lucia Bronstein
Instalação cenográfica: Renato Bolelli Rebouças
Direção musical: Edson Secco