Selo Ferina, desejo de transformação na prática

Apesar de ser um campo predominante machista, vemos na literatura um número cada vez maior de mulheres sendo publicadas pelas editoras, independentes ou não. Ainda assim, quais são as escritoras publicadas? Para exaltar a diversidade entre mulheres é que surge o Selo Ferina, da Editora Pólen.

Criado pela escritora Jarid Arraes e pela editora Lizandra Magon de Almeida,  o Selo tem um conselho editorial composto por 11 mulheres: escritoras indígenas, LGBTs e negras, de diversas regiões do país, integram o time, mostrando que a literatura pode e deve ser muito mais diversa do que se pretende.

Não há nada mais Ferina, mais feroz, do que mulheres juntas, organizadas, falando, escrevendo e fazendo o que querem.
Jarid Arraes

“Esse trabalho de curadoria é fantástico, sinto que estou no meu habitat natural porque já faço isso de ler mulheres diversas. Trabalhar com esse Conselho é incrível, elas trazem uma diversidade maravilhosa de perspectivas, tanto no campo dos livros, já que partem de lugares diferentes na área, quanto de visões subjetivas. Tivemos muito cuidado e muita intenção ao convidá-las, admiro cada uma delas”, conta Jarid.

Márcia Wayna Kambeba, conselheira da Ferina e poeta amazonense, acredita que o Ferina é inovador porque traz a diversidade como princípio, possibilitando a publicação de escritoras independentes. “Para a mulher indígena esse caminho começa a se abrir cada dia mais: mulheres estão em aldeias ou cidades buscam manifestar sua cultura e resistência na literatura. Como indígena, farei desse convite uma oportunidade de mostrar o saber da floresta e da mulher indígena pela arte da palavra”, afirma.

Ferina é composto com um time de onze conselheiras e promete trazer diversidade real ao mercado editorial

O primeiro livro a ser publicado pelo Ferina é “Um buraco com meu nome”, de Jarid. “O meu livro é bastante representativo do nosso selo, porque ele é forte, mordaz, pesado e trata de temas cortantes, como a linha editorial da Ferina é”, explica. Após a estreia que acontece em agosto, o selo  traz ao mercado editorial o livro de contos do #LeiaMulheres, com autoras do Brasil inteiro que se uniram e foram descobertas a partir do coletivo que tem representantes por todo o país. “Os próximos livros seguirão essa linha, tanto no texto literário, quanto na subversão que é a coletividade feminista. Não há nada mais Ferina, mais feroz, do que mulheres juntas, organizadas, falando, escrevendo e fazendo o que querem”.

Como indígena, farei desse convite uma oportunidade de mostrar o saber da floresta e da mulher indígena pela arte da palavra.
Márcia Wayna Kambeba

Com atenção, conselho editorial qualificado e aparato técnico, o recém-nascido tem tudo para ser um sucesso. “Diversidade atrai multiplicidade e polifonias, então o Ferina pode ser uma bússola, um farol que oriente iniciativas similares e mostre como as coisas podem ser bem feitas”, ressalta Cidinha da Silva, cronista, prosadora, dramaturga e também integrante do super time de conselheiras do selo. “Cada uma de nós [conselheiras] é fiadora dessa importante iniciativa: juntamos nosso nome ao Ferina por acreditarmos na justeza da proposta e assim a fortalecemos”.

Que o desejo de transformar o mercado editorial, trazendo novas perspectivas e narrativas para as(os) leitoras (es), seja cada vez mais comum nas editoras, e que o Ferina possa impulsionar a carreira de escritoras independentes. Vida longa!