Sobre o Guia

O Guia Maria Firmina é um guia cultural online criado pelas jornalistas Taís Cruz e Victória Durães para divulgar as produções artísticas de mulheres, para mulheres ou que tenha protagonismo feminino no estado de São Paulo.

Nosso objetivo é oferecer um guia que mapeie e, principalmente, valorize o trabalho das mulheres nas mais diversas manifestações artísticas.

Quem foi Maria Firmina?

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Maria Firmina dos Reis nasceu em 11 de outubro de 1925, em São Luís, Maranhão. Filha bastarda de mãe branca e pai negro, provavelmente escravo, Firmina enfrentou as barreiras de gênero, raça e classe para adquirir, dentro das possibilidades, alfabetização. Aos 22 anos se tornou a primeira mulher concursada para o cargo de professora no seu estado natal.

“Úrsula” (1859), primeiro romance escrito por uma mulher, negra, e com temática abolicionista foi de Maria Firmina, que omitiu sua identidade assinando como “Uma Maranhense”.

(Ilustração de Gabriela Pires do livro “Heróinas negras brasileiras”, de Jarid Arraes)

Não é vaidade de adquirir nome que me cega, nem o amor próprio de autor. Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados, que aconselham, que discutem e que corrigem, com uma ilustração misérrima, apenas conhecendo a língua de seus pais, e pouco lida; o seu cabedal é quase nulo.

Prólogo de “Úrsula”

Quer mais? Em 1880, fundou a primeira escola pública mista do Maranhão onde estudavam meninas e meninos – algo tão ousado na época que foi fechada pouco tempo depois pelas chaves do machismo e do racismo.

Embora pioneira e extremamente importante para a literatura brasileira, pouco se fala da obra de Maria Firmina. Além do romance de estreia, a escritora têm diversos poemas e contos publicados e, embora seus livros sejam muito raros e difíceis de serem encontrados, a versão fac-símile digital do original de “Úrsula” está disponível para leitura:

LEIA ONLINE

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Para nós, Firmina é mais uma das centenas de mulheres artistas apagadas da nossa história e, por isso, decidimos homenageá-la no ano do centenário de sua morte.