A representatividade lésbica nos versos de Thalita Coelho

Por Nathália Rocha*

Começou a escrever quando tinha apenas 11 anos. Os poemas foram a sua porta de entrada, passou pela prosa e, ao se assumir lésbica, voltou para a poesia. 

Thalita Coelho, autora do livro Terra Molhada, professora de português e doutoranda em Teoria Literária pela UFSC vê no seu trabalho uma forma de dar maior visibilidade à produção lésbica e feminina na literatura.

todo o meu escrito é mulher, ou melhor,  toda a minha escrita é mulher, pra mulher, de mulher, em mulher. mesmo que não se saiba o que é. essas letras são mulheres, a tinta impressa será mulher, o toque no teclado foi mulher, os olhos que lêem são mulheres.

Para ela, trata-se de uma forma de reverter aquilo que se enxerga como padrão na literatura. O apagamento de mulheres no setor fica claro quando avaliamos quem são as pessoas que ganham destaque nesse meio: homens, brancos, heterossexuais e de classe média.

Citando a pesquisa de Regina Dalcastagné, pesquisadora, escritora e crítica literária, ela exemplifica: “são eles que levam prêmios, publicam em grandes editoras e fazem o pouco dinheiro que a literatura permite ganhar no Brasil”.

Ao permitir-se retratar suas vivências enquanto mulher lésbica, então, a autora abre caminho para que outras mulheres se reconheçam.  

Foto: Instagram Thalita Coelho

Para Thalita, que cita como referências autoras como Ana Cristina Cesar, Hilda Hilst, Jarid Arraes e Conceição Evaristo, todas com posicionamentos políticos sobre questões de gênero e raça bastante presentes em suas obras, o uso de marcadores ligados a identidades que fogem ao padrão são importantes.

“São posicionamentos políticos. Eles só existem hoje porque, um dia, tiveram sua existência negada. Para mim, o problema não são os “rótulos”, mas aqueles que torcem o nariz para eles. Se há a necessidade de ser rotulado é porque, de alguma forma, há uma invisibilidade, um apagamento.”

Sobre os diferentes espaços a serem ocupados por esses grupos, ela faz uma ressalva. “Eu tenho investido em uma divulgação pelas redes sociais, sobretudo o Instagram. Porém, é importante sempre tentarmos ocupar o mercado literário – seja independentemente ou em editoras – ficar apenas online é interessante, mas o risco de nos diluirmos em meio a tanta informação é grande”.

Onde encontrar Thalita?
Instagram: @coelhothali
Facebook: @tcoelholiteratura

* Nathália Rocha é jornalista, feminista e trabalha com projetos de comunicação e advocacy ligados a causas sociais.

(Foto em destaque: Micaela Torres)