WE ARE NOT WITH THE BAND: Outro olhar sobre as mulheres na cena musical

Como parte da programação da edição do SIM São Paulo 2018, a Casa Vulva  recebe a exposição WE ARE NOT WITH THE BAND, da fotógrafa Filipa Aurélio, no dia 07/12, na Noite do protagonismo feminino independente. A casa e a exposição abrem às 18h, e noite segue cheia de atrações, como o bate-papo sobre a experiência de ser mulher em banda de homem com Sue-Elie Andrade-Dé (THE SMELL OF DUST), Ana Zumpano (Lava Divers), Amanda Buttler (Sky Down), Letty e Rita Oliva (Papisa), seguida pelos pocktes shows das convidadas.

Ficamos curiosíssimas sobre a exposição e resolvemos bater um papo com a Filipa, também idealizadora da proposta.

 WE ARE NOT WITH THE BAND (nós não estamos com a banda, em tradução literal) nasce do desejo de desmistificar a imagem da mulher apenas como namoradas, acompanhantes, fãs/groupies dos integrantes de bandas de qualquer gênero musical e mostrar que as mulheres são, cada vez mais, a própria banda.

A intenção é divulgar projetos musicais com protagonismo feminino na cena independente, unindo entrevistas e registros audiovisuais sobre diversos temas do cotidiano de uma banda: os desafios da produção de um disco, os processos criativos e, principalmente, a forma como essas mulheres encaram várias situações de machismo nesse meio.

A fotografa Filipa Aurélio é de Portugal, e vive em São Paulo há mais de quatro anos.  Mesmo graduada, não teve muitas oportunidades de exercer a profissão no mercado português, decidiu mudar-se para o Brasil e nesse meio tempo, reacendeu o seu antigo sonho de fotografar shows e bandas. Vem conhecer mais sobre esse projeto incrível:

Foto: Cinnamon Tapes por Filipa Aurélio

Como surgiu o projeto?
Surgiu em 2016, depois da minha participação como voluntária no registro do Ladies Rock Camp, em Sorocaba, projeto em que, durante uma semana, ensina mulheres a tocar instrumentos musicais, montarem sua banda, escreverem uma música e se apresentarem oficialmente para uma plateia. Lá, o meu intuito era fazer um retrato do evento e conversar com algumas das meninas que estavam fazendo voluntariado também, pois quase todas elas faziam parte de alguma banda. Rapidamente percebi que ali tinha muito material a ser explorado e decidi que seria melhor ampliar isso em diferentes plataformas e formatos. Daí chamei a Daniele Rodrigues, de Porto Alegre, para me dar uma ajuda nos conteúdos e ser meu braço direito, basicamente. E tivemos também a ajuda preciosa da Clara do Prado para criar a nossa identidade visual.

Mesmo com tantas bandas formadas por mulheres por aí, por que ainda é preciso afirmar que as mulheres também ocupam esse espaço?

Foto: Xênia França por Filipa Aurélio

Existem cada vez mais mulheres fazendo música, isso é notório e ainda bem! Mas falando mais concretamente da cena indie brasileira, precisamos parar e olhar para quem são essas mulheres? Quem elas representam? Deixamos de falar tanto sobre a falta de espaço ou representatividade feminina na música, e agora faltam mulheres trans, faltam mulheres indígenas. E por que a música, principalmente o rock, não chega até elas? Por que a gente continua vendo, na maioria dos eventos, só público branco? Isso vem como resultado da falta de representatividade em cima dos palcos. É muito importante a gente focar cada vez mais nesse ponto, pois não tem como continuar apoiando causas feministas e não olhar para dentro, não se questionar sobre esses pontos e não perpetuar atitudes classicistas e opressoras também. Faltam mulheres negras na cena indie, faltam mulheres trans, faltam mulheres indígenas. E por que a música, principalmente o rock, não chega até elas? Por que a gente continua vendo, na maioria dos eventos, só público branco? Isso vem como resultado da falta de representatividade em cima dos palcos. É muito importante a gente focar cada vez mais nesse ponto, pois não tem como continuar apoiando causas feministas e não olhar para dentro, não se questionar sobre esses pontos e não perpetuar atitudes classicistas e opressoras também.

Como a fotografia pode apoiar essas mulheres?
Meu trabalho permeia muito às mulheres que fazem música, tanto em cima dos palcos quanto fora deles, através de retratos. Eu acho que só o fato de estar presente e registrar esses momentos, um marco na vida delas, já é fazer um pouco de história.  E, quando olharmos para trás e ver como todas nós participamos de um movimento tão massa, em um momento onde essa presença feminina está se consolidando mais que nunca, vai ser muito legal.

Tem planos para o ano que vem?
Atualmente estou fazendo cada vez mais retratos da galera da música e tem sido muito incrível explorar esse meu lado mais criativo, em vez de ficar só documentando algo, ficar só observando. Quero muito continuar explorando esse lado mais editorial do meu trabalho, no próximo ano.

O que?  WE ARE NOT WITH THE BAND na Noite do protagonismo feminino independente
Onde? Casa Vulva | R. Coriolano, 345
Quanto? R$25

Salma Jô – Carne Doce por Filipa Aurélio