10 artistas LGBTs que você precisa conhecer

O dia do orgulho LGBT é comemorado mundialmente no dia 28 de junho desde 1969, quando lésbicas, bissexuais, gays e transexuais que frequentavam o bar Stonewall Inn, em Nova York, reagiram e protestaram contra as batidas policiais que aconteciam no espaço com frequência.

Nós do Guia Maria Firmina acreditamos na importância de datas como essa, mas resolvemos parar e ver quantas mulheres trans, lésbicas e bissexuais já entrevistamos. E foram muitas artistas LGBTs!

Já conversamos com Cidinha da Silva, prosadora que já publicou 13 livros: oito de crônicas; três infanto-juvenis; um de poemas; e um de contos. Também batemos um papo com Renata Carvalho, atriz que interpreta Jesus no espetáculo O Evangelho segundo Jesus, rainha do céu.

Veja abaixo a seleção que fizemos das artistas LGBTs que já passaram pelo Guia Maria Firmina:

Thalita Coelho

Thalita começou a escrever quando tinha apenas 11 anos. Os poemas foram a sua porta de entrada, passou pela prosa e, ao se assumir lésbica, voltou para a poesia. Autora do livro Terra Molhada, professora de português e doutoranda em Teoria Literária pela UFSC vê no seu trabalho uma forma de dar maior visibilidade à produção lésbica e feminina na literatura.

Linn da Quebrada

Bicha, travesti, preta e periférica que está descobrindo as possibilidades de existência e resistência no mundo. Assim podemos definir Linn da Quebrada, uma das artistas LGBTs mais famosa atualmente que, aos 27 anos, canta suas experiências e ocupa, mesmo que na marra, espaços negados a ela no país que mais mata travestis e transexuais no mundo.

Foto de linn da Quebrada em um show
Linn da Quebrada | Foto: Filipa Aurelio
Rita Moreira

Rita Moreira é conhecida por seus vídeos documentais e militantes. Em 1972, quando o movimento LGBT e a segunda onda feminista – articulado principalmente por mulheres lésbicas – eram assunto nas ruas de Nova York , duas brasileiras com o primeiro modelo de câmera portátil produzida pela Sony em mãos perguntavam o que homens, mulheres e estudiosos achavam sobres o lesbianismo e a maternidade de mulheres lésbicas. Assim surgiu um dos primeiros (ou talvez o primeiro) vídeos documentários independentes feito por brasileiras. As pioneiras foram Rita Moreira e sua parceira Norma Pontes.

Renata Carvalho

Uma atriz extremamente apaixonada pelo seu trabalho, que vai ao teatro todos os dias para ele nem ousar se esquecer dela, que existe por causa dele. Essa é Renata Carvalho, que há 22 anos está no teatro, e há 22 anos os cisgêneros tentam tirar aquilo que para ela significa tudo.

Renata ficou nacionalmente conhecida por representar ninguém menos que Jesus Cristo, na peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, que desde 2016 quando estreou, vem sendo atacada por todos os lados da sociedade. Algumas sessões chegaram até serem canceladas, outras tiveram que contar com policiais no local para garantir a integridade física da atriz.

Ryane Leão

Ryane não é uma poeta que escreve para si, mas para todas as mulheres infinitas, e acredita que a poesia é um meio de troca que ensina sobre cura, amor, luta e mais uma porção de coisas. Para essa troca existir a autora conta com a identificação, por acreditar que a partir dela temos certeza que não estamos mais sozinhas. Em busca da sua própria identificação com o mundo literário, ela faz acontecer em seu livro tudo que não vê em outros, como os poemas de amor lésbico.

Foto de Ryane Leão e seu livro
Ryane Leão | Foto: Divulgação
Amara Moira

Caso fosse necessário descrever Amara Moira em uma expressão, com certeza seria uma amante das línguas. “O que é poético para mim é essa experimentação absurda com as palavras”.

Escritora, crítica literária e doutora pela UNICAMP com tese que estuda a obra de James Joyce, considerado um dos escritores mais difíceis do Ocidente, Amara é dona de uma fala calma, clara, que não se incomoda em explicar coisas que para ela são óbvias e fazem parte do seu cotidiano. Fascinada pela literatura desde muito jovem, aprendeu a ler sozinha aos quatro anos, aos oito escrevia poemas para o pai e aos 17 enxergava na literatura uma oportunidade de conhecer novos mundos e realidades, fugindo um pouco da aspereza da vida.

Auritha Tabajara

“Eles nunca me abandonarão, seja na aldeia ou na cidade. Eles não são preconceituosos”. A frase de Auritha sobre seus ancestrais é forte e mostra que a escritora que saiu da Comunidade Tabajara, no estado do Ceará, não perdeu a conexão com suas raízes.

Auritha Tabajara é escritora, contadora de histórias, cordelista e poeta. A autora de 38 anos é apaixonada pela escrita desde os seis, quando aprendeu a ler. “Meu avô tinha um rádio de pilha e todos os dias ouvia pessoas declamando Patativa do Assaré [poeta popular], e eu achava aquelas rimas lindas”, conta. “A partir daí comecei a escrever as histórias da minha avó com rimas, virou uma grande brincadeira que depois passei a encarar como profissão”.

Cidinha da Silva

Uma das características mais marcantes nos trabalhos de Cidinha é sua habilidade em tocar nas feridas sociais como racismo, machismo e LGBTfobia através da arte. Não que seu trabalho possa ser resumido exclusivamente a política, mas é inevitável questionar as desigualdades estruturais e estruturantes de nossa sociedade depois de ler uma crônica da escritora que resolvemos destacar como uma das artistas LGBTs que já entrevistamos.

Formada em História pela Universidade Federal de Minas Gerais, publicou artigos acadêmicos sobre relações raciais e de gênero, mas só em 2006 iniciou sua carreira na literatura. De lá pra cá foram 13 livros publicados: oito de crônicas; três infanto-juvenis; um de poemas; e um de contos.

Renata Carvalho em Jesus, Rainha do céu
Renata Carvalho interpreta Jesus no espetáculo “O evangelho segundo Jesus, rainha do céu” | Foto: Divulgação
Márcia Dailyn

No dia 13 de agosto, em Jales, interior de São Paulo, nascia aquela que seria a primeira bailarina transexual do conservador Teatro Municipal de São Paulo, também um dos mais importantes do país.

Filha de um eletricista muçulmano, e uma professora de aeróbica e jazz, Márcia Dailyn cresceu rodeada pela dança, arte pela qual se apaixonou.

O sonho de Márcia era maior que todos os obstáculos que colocavam por conta de sua identidade de gênero, e por ele enfrentou tudo sem nenhum arrependimento.“Eu sou artista e vou morrer artista. Não me importo por ter passado fome, frio, por meu pai ter me expulsado de casa por eu ser quem eu sou, de ter sido retirada de balés, de peças de teatro que estudei e não pude me apresentar por ser assim. Doí… Machuca olhar o passado, mas me engrandece”, diz emocionada.

Mariana Pacor

Você consegue pensar em três artistas visuais homens que são conhecidos? Essa é bem fácil! E três mulheres? Fica um pouco mais difícil, mas ainda dá pra responder. Mas e se eu perguntar se você conhece três artistas LGBTs que são artistas visuais?

Formada em Artes Visuais pela Unesp, Mariana Pacor começou a desenhar quando pequena — sem saber ao certo com qual idade —, e nunca mais parou. Já seus primeiros poemas vieram antes da puberdade, quando teve sua primeira paixão. Depois disso, vieram aulas de violão e de piano, e Mariana foi crescendo junto com as artes. Ela conta que esse seu anseio veio da necessidade de falar, de pôr pra fora coisas que tinha e tem dentro de si. E quando questionada sobre qual seu significado particular para a arte, diz que “arte significa silêncio; significa poder significar qualquer coisa; significa poder dizer sem dizer de fato; significa dizer só pra quem você sabe que entenderá”.